CE DONT x QUOI | QUAL É A DIFERENÇA (GRAMÁTICA B1/B2)

Salut, tudo certo? Se você já está no nível intermediário ou avançado em francês, entender ce dont e quoi exige mudar o raciocínio: o francês organiza os pronomes relativos indefinidos pela preposição exigida pelo verbo, não pela lógica do português. Esse ponto confunde muitos brasileiros. Esses pronomes são usados quando não há antecedente expresso na frase. Vamos destravar isso juntos.

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Salut, tudo certinho por aí?

Se você já alcançou um nível intermediário ou avançado em francês, provavelmente percebeu que chega um momento em que a gramática deixa de ser apenas um conjunto de regras e passa a exigir uma mudança real de raciocínio. É exatamente isso que acontece quando entramos no território dos pronomes relativos indefinidos, sobretudo nas construções com ce dont e quoi.

E aqui vai um aviso direto e muito honesto: esse é um dos pontos que mais geram confusão entre alunos brasileiros, inclusive entre aqueles que já leem bem, compreendem vídeos e se comunicam com relativa facilidade.

O motivo é simples. O francês organiza esse tipo de estrutura a partir da preposição exigida pelo verbo, e não a partir da lógica do português. É essa mudança de foco que costuma travar o aluno. Vamos destravar isso com calma.

Antes de falar especificamente de ce dont e quoi, é importante entender rapidamente o que são pronomes relativos indefinidos. Eles são usados quando não existe um antecedente explícito na frase. Em outras palavras, você não menciona antes um substantivo como o assunto, o livro, a coisa, o problema, o apartamento etc. A ideia aparece diretamente na forma “aquilo de que…”, “aquilo em que…”, “o que…”. É exatamente nesse ponto que entram ce dont e quoi.

CE DONT

Comecemos por ce dont que é a forma usada para substituir um complemento introduzido pela preposição de. Em termos práticos, sempre que o verbo, a expressão ou o adjetivo exigir de e não houver antecedente, você utilizará ce dont.

Observe:

  • Ce dont elles parlent est inconnu. (Aquilo de que elas falam é desconhecido.)
  • Je sais ce dont il est capable. (Eu sei do que ele é capaz.)
  • C’est ce dont j’ai peur. (É disso que eu tenho medo.)

Repare que, por trás dessas frases, temos estruturas como parler de quelque chose (falar de algo), être capable de quelque chose (ser capaz de algo) e avoir peur de quelque chose (ter medo de algo). Em todos os casos, o francês precisa da preposição de

É justamente essa preposição que obriga o uso de dont. Como não há um nome expresso antes – não há le sujet, la chose, le problème, a forma correta passa a ser ce dont.

Aqui surge uma distinção fundamental: a diferença entre ce dont e dont.

Compare:

  • Ce dont elles parlent est inconnu. (Aquilo de que elas falam é desconhecido.)
  • Le sujet dont elles parlent est inconnu. (O assunto de que elas falam é desconhecido.)

Na primeira frase, não existe antecedente. Na segunda, o antecedente é claramente le sujet. Por isso, a lógica é muito simples: quando existe um substantivo antes, usamos dont; quando não existe, usamos ce dont.

O mesmo raciocínio aparece nos exemplos seguintes:

  • Je sais ce dont il est capable. (Eu sei do que ele é capaz.)
  • Je sais le potentiel dont il est capable. (Eu sei o potencial de que ele é capaz.)

Ou ainda:

  • C’est ce dont j’ai peur. (É disso que eu tenho medo.)
  • C’est du dentiste dont j’ai peur. (É do dentista que eu tenho medo.)

Em todos os casos, a diferença não está no verbo, mas na presença ou não de um antecedente.

QUOI

Passemos agora a quoi. Nesse contexto, quoi funciona como pronome relativo indefinido para substituir o complemento de qualquer preposição que não seja de.

Em termos práticos, se a preposição exigida pelo verbo for à, dans, sur, avec, pour, par, en e não houver antecedente, o pronome utilizado será quoi.

Veja:

  • Je ne sais pas à quoi elles pensent. (Eu não sei no que elas pensam.)
  • Il a vu dans quoi je vivais. (Ele viu em que eu morava.)
  • J’ai trouvé avec quoi écrire. (Eu encontrei com o que escrever.)

Por trás dessas frases estão estruturas como penser à quelque chose (pensar em algo), vivre dans quelque chose (viver em algo) e écrire avec quelque chose (escrever com algo). As preposições são à, dans e avec

Como não se trata de de, não podemos empregar dont. Entramos, portanto, no domínio de quoi.

Assim como acontece com ce dont e dont, também existe uma oposição muito clara entre quoi e as formas de lequel.

Compare:

  • Je ne sais pas à quoi elles pensent. (Não sei no que elas pensam.)

Agora, com antecedente:

  • Il y a plusieurs problèmes. Je ne sais pas auquel elles pensent. (Há vários problemas. Não sei em qual elas pensam.)

O mesmo paralelismo aparece nos exemplos a seguir:

  • Il a vu dans quoi je vivais. (Ele viu em que eu morava. – aqui não mencionei se era casa, apartamento, etc.)
  • Il a vu l’appartement dans lequel je vivais. (Ele viu o apartamento em que eu morava. – aqui já está mencionado que era apartamento)
  • J’ai trouvé avec quoi écrire. (Encontrei com o que escrever. – aqui não mencionei o objeto)
  • J’ai trouvé un stylo avec lequel écrire. (Encontrei uma caneta com a qual escrever. – aqui mencionei que era caneta)

A lógica é exatamente a mesma: sem antecedente, usamos quoi; com antecedente, usamos uma forma de lequel.

Há, no entanto, um detalhe técnico que costuma confundir bastante os estudantes. Quando a estrutura preposição + quoi aparece no início da frase, ou logo depois de c’est, o francês exige a presença do demonstrativo ce.

Observe:

  • Ce à quoi elles pensent est inconnu. (Aquilo em que elas pensam é desconhecido.)
  • C’est ce dans quoi je vivais. (É aquilo em que eu morava.)

Não é possível dizer simplesmente À quoi elles pensent est inconnu. Nessa posição, a frase precisa obrigatoriamente começar com ce à quoi.

Compare agora com construções que têm antecedente:

  • Le sujet auquel elles pensent est inconnu. (O assunto em que elas pensam é desconhecido.)
  • C’est la maison dans laquelle je vivais. (É a casa em que eu morava.)

Mais uma vez, o critério decisivo continua sendo a presença ou não de um nome definido. Com antecedente, usamos auquel, dans laquelle, sur lequel e assim por diante. Sem antecedente, usamos ce + preposição + quoi.

Mas afinal, por que isso é tão difícil para brasileiros?

Há dois problemas estruturais principais. O primeiro é que francês e português nem sempre usam as mesmas preposições com os mesmos verbos. Dizemos, por exemplo, penser à (pensar em), parler de (falar de), rêver de (sonhar com), s’intéresser à (interessar-se por), dépendre de (depender de). Em português, muitas dessas construções variam, mudam de preposição ou até dispensam completamente esse elemento.

O segundo problema é ainda mais sutil. Existem verbos que exigem preposição em francês, mas não exigem em português. É por isso que tentar traduzir literalmente quase sempre leva ao erro. O que realmente manda nesse sistema é a regência verbal em francês.

Se você quiser guardar apenas uma regra verdadeiramente decisiva, ela é a seguinte: quando o verbo exige de, você usa ce dont; quando o verbo exige qualquer outra preposição, você usa quoi e, se a estrutura estiver no início da oração ou depois de c’est, você usa ce + preposição + quoi; quando o verbo não exige preposição alguma, você usa ce que.

É exatamente o que acontece, por exemplo, em:

  • Je ne sais pas ce qu’il veut. (Não sei o que ele quer.)

O verbo vouloir não pede preposição.

Para terminar, vale insistir no ponto mais importante. O verdadeiro segredo para dominar ce dont e quoi não está em decorar listas de pronomes, mas em desenvolver uma atenção sistemática à preposição que cada verbo pede em francês.

Quando você entende que parler de leva naturalmente a ce dont, que penser à, vivre dans e écrire avec conduzem a quoi, e que verbos sem preposição conduzem a ce que, esse sistema  (que à primeira vista parece complicado) passa a ser totalmente previsível.

E é justamente esse tipo de estrutura que separa um francês apenas correto de um francês realmente natural. 

A gente se vê em breve. On se voit !

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ADIR FERREIRA

Professor poliglota, desde 2007 produz conteúdo online e é autor dos cursos Francês Autêntico, Pronúncia Prática, Domine o Subjuntivo, Francês com Filmes e também de vários e-books para o aprendizado da língua francesa.

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