CONTO EM FRANCÊS: LA PARURE (GUY DE MAUPASSANT) – TEXTO TRADUZIDO [COM ÁUDIO]

Hoje eu tenho uma sugestão especial para quem quer aprender francês com literatura de verdade. Estamos falando de um dos contos mais famosos da literatura francesa: La Parure, escrito pelo grande Guy de Maupassant.

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Frases essenciais do dia-a-dia

Salut, tudo certinho por aí?

Hoje eu tenho uma sugestão especial para quem quer aprender francês com literatura de verdade. Estamos falando de um dos contos mais famosos da literatura francesa: La Parure, escrito pelo grande Guy de Maupassant (leia sua biografia aqui).

Se você ainda não conhece a história, La Parure conta a vida de Mathilde Loisel, uma mulher que sonha com luxo, riqueza e uma vida elegante, muito diferente da realidade simples em que vive. Um convite para um baile da alta sociedade parece ser a chance perfeita de viver esse sonho… mas uma decisão aparentemente inocente acaba desencadeando uma reviravolta marcante na história. E o melhor: aqui você vai poder aproveitar o conto de uma forma muito mais completa para aprender francês.

O texto está disponível em francês, acompanhado de tradução para o português, o que permite entender cada detalhe da narrativa sem se perder na leitura. Além disso, você também pode ouvir o conto com áudio gravado por um locutor nativo, uma ótima maneira de treinar sua compreensão auditiva enquanto acompanha a história.

Ou seja: você pratica leitura, vocabulário e escuta, tudo ao mesmo tempo, com um clássico da literatura francesa.

Alors… prêt(e) à découvrir La Parure? En route ! 

LA PARURE

O COLAR

C’était une de ces jolies et charmantes filles, nées, comme par une erreur du destin, dans une famille d’employés. Elle n’avait pas de dot, pas d’espérances, aucun moyen d’être connue, comprise, aimée, épousée par un homme riche et distingué ; et elle se laissa marier avec un petit commis du ministère de l’Instruction publique. (Era uma daquelas moças bonitas e encantadoras, nascidas, como por um erro do destino, numa família de funcionários. Não tinha dote, não tinha esperanças, nenhum meio de ser conhecida, compreendida, amada, desposada por um homem rico e distinto; e deixou-se casar com um pequeno funcionário do ministério da Instrução Pública.)

Elle fut simple, ne pouvant être parée, mais malheureuse comme une déclassée ; car les femmes n’ont point de caste ni de race, leur beauté, leur grâce et leur charme leur servant de naissance et de famille. Leur finesse native, leur instinct d’élégance, leur souplesse d’esprit sont leur seule hiérarchie, et font des filles du peuple les égales des plus grandes dames. (Ela era simples, não podendo se enfeitar, mas infeliz como uma desclassificada; pois as mulheres não têm casta nem raça, sendo sua beleza, sua graça e seu charme o que lhes serve de nascimento e família. Sua fineza nativa, seu instinto de elegância, sua flexibilidade de espírito são sua única hierarquia, e fazem das filhas do povo as iguais das mais grandes damas.)

Elle souffrait sans cesse, se sentant née pour toutes les délicatesses et tous les luxes. Elle souffrait de la pauvreté de son logement, de la misère des murs, de l’usure des sièges, de la laideur des étoffes. Toutes ces choses, dont une autre femme de sa caste ne se serait même pas aperçue, la torturaient et l’indignaient. La vue de la petite Bretonne qui faisait son humble ménage éveillait en elle des regrets désolés et des rêves éperdus. Elle songeait aux antichambres muettes, capitonnées avec des tentures orientales, éclairées par de hautes torchères de bronze, et aux deux grands valets en culotte courte qui dorment dans les larges fauteuils, assoupis par la chaleur lourde du calorifère. Elle songeait aux grands salons vêtus de soie ancienne, aux meubles fins portant des bibelots inestimables, et aux petits salons coquets, parfumés, faits pour la causerie de cinq heures avec les amis les plus intimes, les hommes connus et recherchés dont toutes les femmes envient et désirent l’attention. (Ela sofria sem cessar, sentindo-se nascida para todas as delicadezas e todos os luxos. Sofria com a pobreza de sua moradia, com a miséria das paredes, com o desgaste das cadeiras, com a feiura dos tecidos. Todas essas coisas, das quais outra mulher de sua condição nem sequer se teria dado conta, a torturavam e a indignavam. A visão da pequena bretã que fazia os humildes serviços domésticos despertava nela lamentos desolados e sonhos perdidos. Ela pensava nas antecâmaras silenciosas, estofadas com tapeçarias orientais, iluminadas por altas archeiras de bronze, e nos dois grandes lacaios de calção curto que dormem nas largas poltronas, adormecidos pelo calor pesado do aquecedor. Pensava nos grandes salões vestidos de seda antiga, nos móveis finos com bibelôs inestimáveis, e nos pequenos salões aconchegantes, perfumados, feitos para a conversa das cinco horas com os amigos mais íntimos, os homens conhecidos e requisitados cuja atenção todas as mulheres invejam e desejam.)

Quand elle s’asseyait, pour dîner, devant la table ronde couverte d’une nappe de trois jours, en face de son mari qui découvrait la soupière en déclarant d’un air enchanté : « Ah ! le bon pot-au-feu ! je ne sais rien de meilleur que cela… » elle songeait aux dîners fins, aux argenteries reluisantes, aux tapisseries peuplant les murailles de personnages anciens et d’oiseaux étranges au milieu d’une forêt de féerie ; elle songeait aux plats exquis servis en des vaisselles merveilleuses, aux galanteries chuchotées et écoutées avec un sourire de sphinx, tout en mangeant la chair rose d’une truite ou des ailes de gélinotte. (Quando se sentava para jantar diante da mesa redonda coberta com uma toalha de três dias, em frente ao marido que descobria a sopeira declarando com ar encantado: “Ah! Que bom cozido! Não conheço nada melhor que isso…” ela pensava nos jantares refinados, nas pratarias reluzentes, nas tapeçarias que povoavam as paredes com personagens antigos e pássaros estranhos no meio de uma floresta de fantasia; ela pensava nos pratos rebuscados servidos em louças maravilhosas, nas galanterias sussurradas e ouvidas com um sorriso de esfinge, enquanto se comia a carne rosada de uma truta ou as asas de uma perdiz.)

Elle n’avait pas de toilettes, pas de bijoux, rien. Et elle n’aimait que cela ; elle se sentait faite pour cela. Elle eût tant désiré plaire, être enviée, être séduisante et recherchée. (Ela não tinha vestidos, não tinha joias, nada. E só gostava disso; sentia-se feita para isso. Desejara tanto agradar, ser invejada, ser sedutora e requisitada.)

Elle avait une amie riche, une camarade de couvent qu’elle ne voulait plus aller voir, tant elle souffrait en revenant. Et elle pleurait pendant des jours entiers, de chagrin, de regret, de désespoir et de détresse. (Tinha uma amiga rica, uma colega de convento que ela não queria mais visitar, tanto sofria ao voltar. E chorava por dias inteiros, de mágoa, de arrependimento, de desespero e de angústia.)

Or, un soir, son mari rentra, l’air glorieux, et tenant à la main une large enveloppe. (Ora, numa noite, seu marido voltou para casa com ar glorioso, segurando na mão um grande envelope.)

— Tiens, dit-il, voici quelque chose pour toi. (— Olha, disse ele, aqui está algo para você.)

Elle déchira vivement le papier et en tira une carte imprimée qui portait ces mots : (Ela rasgou rapidamente o papel e dele tirou um cartão impresso que trazia estas palavras:)

— Le ministre de l’Instruction publique et Mme Georges Ramponneau prient M. et Mme Loisel de leur faire l’honneur de venir passer la soirée à l’hôtel du ministère, le lundi 18 janvier. (— O ministro da Instrução Pública e a Senhora Georges Ramponneau solicitam ao Senhor e à Senhora Loisel a honra de comparecer para passar a noite no palácio do ministério, na segunda-feira, 18 de janeiro.)

Au lieu d’être ravie, comme l’espérait son mari, elle jeta avec dépit l’invitation sur la table, murmurant : (Em vez de ficar encantada, como esperava seu marido, ela jogou com despeito o convite sobre a mesa, murmurando:)

— Que veux-tu que je fasse de cela ? (— O que você quer que eu faça com isso?)

— Mais, ma chérie, je pensais que tu serais contente. Tu ne sors jamais, et c’est une occasion, cela, une belle ! J’ai eu une peine infinie à l’obtenir. Tout le monde en veut ; c’est très recherché et on n’en donne pas beaucoup aux employés. Tu verras là tout le monde officiel. (— Mas, minha querida, eu pensava que você ficaria contente. Você nunca sai, e esta é uma oportunidade, e das boas! Tive uma trabalheira enorme para consegui-la. Todo mundo quer; é muito disputado e não se dá muito aos funcionários. Você verá lá toda a sociedade oficial.)

Elle le regardait d’un œil irrité, et elle déclara avec impatience : (Ela o olhava com um olhar irritado, e declarou com impaciência:)

— Que veux-tu que je me mette sur le dos pour aller là ? (— O que você quer que eu vista para ir lá?)

Il n’y avait pas songé ; il balbutia : (Ele não havia pensado nisso; gaguejou:)

— Mais la robe avec laquelle tu vas au théâtre. Elle me semble très bien, à moi… (— Mas o vestido com o qual você vai ao teatro. Para mim parece muito bom…)

Il se tut, stupéfait, éperdu, en voyant que sa femme pleurait. Deux grosses larmes descendaient lentement des coins des yeux vers les coins de la bouche ; il bégaya : (Ele se calou, estupefato, perdido, ao ver que sua mulher chorava. Duas grossas lágrimas desciam lentamente dos cantos dos olhos em direção aos cantos da boca; ele balbuciou:)

— Qu’as-tu ? qu’as-tu ? (— O que você tem? O que você tem?)

Mais, par un effort violent, elle avait dompté sa peine et elle répondit d’une voix calme en essuyant ses joues humides : (Mas, por um esforço violento, ela havia domado sua dor e respondeu com uma voz calma enxugando suas faces úmidas:)

— Rien. Seulement je n’ai pas de toilette et par conséquent je ne peux aller à cette fête. Donne ta carte à quelque collègue dont la femme sera mieux nippée que moi. (— Nada. Só que não tenho vestido e, por conseguinte, não posso ir a essa festa. Dê seu convite a algum colega cuja mulher esteja mais bem vestida do que eu.)

Il était désolé. Il reprit : (Ele estava desolado. Retomou:)

— Voyons, Mathilde. Combien cela coûterait-il, une toilette convenable, qui pourrait te servir encore en d’autres occasions, quelque chose de très simple ? (— Vamos ver, Mathilde. Quanto custaria um vestido decente, que pudesse te servir ainda em outras ocasiões, algo bem simples?)

Elle réfléchit quelques secondes, établissant ses comptes et songeant aussi à la somme qu’elle pouvait demander sans s’attirer un refus immédiat et une exclamation effarée du commis économe. (Ela refletiu alguns segundos, fazendo suas contas e pensando também na quantia que poderia pedir sem atrair uma recusa imediata e uma exclamação assustada do funcionário econômico.)

Enfin, elle répondit en hésitant : (Por fim, ela respondeu hesitando:)

— Je ne sais pas au juste, mais il me semble qu’avec quatre cents francs je pourrais arriver. (— Não sei ao certo, mas parece-me que com quatrocentos francos eu poderia me arranjar.)

Il avait un peu pâli, car il réservait juste cette somme pour acheter un fusil et s’offrir des parties de chasse, l’été suivant, dans la plaine de Nanterre, avec quelques amis qui allaient tirer des alouettes, par là, le dimanche. (Ele havia empalidecido um pouco, pois reservava justamente essa quantia para comprar uma espingarda e se oferecer partidas de caça, no verão seguinte, na planície de Nanterre, com alguns amigos que iam atirar em cotovias por lá, aos domingos.)

Il dit cependant : (Disse, no entanto:)

— Soit. Je te donne quatre cents francs. Mais tâche d’avoir une belle robe. (— Está bem. Dou-te quatrocentos francos. Mas procura ter um belo vestido.)

Le jour de la fête approchait, et Mme Loisel semblait triste, inquiète, anxieuse. Sa toilette était prête cependant. Son mari lui dit un soir : (O dia da festa se aproximava, e a senhora Loisel parecia triste, inquieta, ansiosa. Seu vestido estava pronto, no entanto. Seu marido lhe disse numa noite:)

— Qu’as-tu ? Voyons, tu es toute drôle depuis trois jours. (— O que você tem? Vamos, você está toda estranha há três dias.)

Et elle répondit : (E ela respondeu:)

— Cela m’ennuie de n’avoir pas un bijou, pas une pierre, rien à mettre sur moi. J’aurai l’air misère comme tout. J’aimerais presque mieux ne pas aller à cette soirée. (— Me aborrece não ter uma joia, nem uma pedra, nada para colocar sobre mim. Vou parecer miserável como tudo. Preferiria quase não ir a essa festa.)

Il reprit : (Ele retomou:)

— Tu mettras des fleurs naturelles. C’est très chic en cette saison-ci. Pour dix francs tu auras deux ou trois roses magnifiques. (— Você colocará flores naturais. É muito chique nessa estação. Por dez francos você terá duas ou três rosas magníficas.)

Elle n’était point convaincue. (Ela não estava nada convencida.)

— Non… il n’y a rien de plus humiliant que d’avoir l’air pauvre au milieu de femmes riches. (— Não… não há nada mais humilhante do que parecer pobre no meio de mulheres ricas.)

Mais son mari s’écria : (Mas seu marido exclamou:)

— Que tu es bête ! Va trouver ton amie Mme Forestier et demande-lui de te prêter des bijoux. Tu es bien assez liée avec elle pour faire cela. (— Como você é boba! Vá procurar sua amiga a senhora Forestier e peça-lhe que te empreste joias. Você tem intimidade suficiente com ela para fazer isso.)

Elle poussa un cri de joie : (Ela soltou um grito de alegria:)

— C’est vrai. Je n’y avais point pensé. (— É verdade. Eu não havia pensado nisso.)

Le lendemain, elle se rendit chez son amie et lui conta sa détresse. Mme Forestier alla vers son armoire à glace, prit un large coffret, l’apporta, l’ouvrit, et dit à Mme Loisel :

(No dia seguinte, ela foi à casa de sua amiga e lhe contou sua angústia. A senhora Forestier foi até seu armário com espelho, pegou um grande estojo, trouxe-o, abriu-o e disse à senhora Loisel:)

— Choisis, ma chère. (— Escolha, minha querida.)

Elle vit d’abord des bracelets, puis un collier de perles, puis une croix vénitienne, or et pierreries, d’un admirable travail. Elle essayait les parures devant la glace, hésitait, ne pouvait se décider à les quitter, à les rendre. Elle demandait toujours : (Ela viu primeiro pulseiras, depois um colar de pérolas, depois uma cruz veneziana, ouro e pedras preciosas, de um trabalho admirável. Ela experimentava os adornos diante do espelho, hesitava, não conseguia decidir-se a largá-los, a devolvê-los. Sempre perguntava:)

— Tu n’as plus rien d’autre ? (— Você não tem mais nada?)

— Mais si. Cherche. Je ne sais pas ce qui peut te plaire. (— Mas sim. Procure. Não sei o que pode lhe agradar.)

Tout à coup elle découvrit, dans une boîte de satin noir, une superbe rivière de diamants ; et son cœur se mit à battre d’un désir immodéré. Ses mains tremblaient en la prenant. Elle l’attacha autour de sa gorge, sur sa robe montante, et demeura en extase devant elle-même. (De repente ela descobriu, numa caixa de cetim negro, um soberbo colar de diamantes; e seu coração começou a bater com um desejo desmedido. Suas mãos tremiam ao pegá-lo. Ela o prendeu ao redor de seu pescoço, sobre seu vestido de gola alta, e ficou em êxtase diante de si mesma.)

Puis, elle demanda, hésitante, pleine d’angoisse : (Depois, ela perguntou, hesitante, cheia de angústia:)

— Peux-tu me prêter cela, rien que cela ? (— Você pode me emprestar isso, só isso?)

— Mais oui, certainement. (— Mas sim, certamente.)

Elle sauta au cou de son amie, l’embrassa avec emportement, puis s’enfuit avec son trésor. (Ela saltou ao pescoço de sua amiga, abraçou-a com entusiasmo, e depois fugiu com seu tesouro.)

Le jour de la fête arriva. Mme Loisel eut un succès. Elle était plus jolie que toutes, élégante, gracieuse, souriante et folle de joie. Tous les hommes la regardaient, demandaient son nom, cherchaient à être présentés. Tous les attachés du cabinet voulaient valser avec elle. Le ministre la remarqua. (O dia da festa chegou. A senhora Loisel fez um grande sucesso. Ela era mais bonita do que todas, elegante, graciosa, sorridente e louca de alegria. Todos os homens a olhavam, perguntavam seu nome, procuravam ser apresentados. Todos os assessores do gabinete queriam valsar com ela. O ministro a notou.)

Elle dansait avec ivresse, avec emportement, grisée par le plaisir, ne pensant plus à rien, dans le triomphe de sa beauté, dans la gloire de son succès, dans une sorte de nuage de bonheur fait de tous ces hommages, de toutes ces admirations, de tous ces désirs éveillés, de cette victoire si complète et si douce au cœur des femmes. (Ela dançava com embriaguez, com entusiasmo, inebriada pelo prazer, sem pensar mais em nada, no triunfo de sua beleza, na glória de seu sucesso, numa espécie de nuvem de felicidade feita de todas essas homenagens, de todas essas admirações, de todos esses desejos despertados, dessa vitória tão completa e tão doce ao coração das mulheres.)

Elle partit vers quatre heures du matin. Son mari, depuis minuit, dormait dans un petit salon désert avec trois autres messieurs dont les femmes s’amusaient beaucoup. (Ela partiu por volta das quatro horas da manhã. Seu marido, desde a meia-noite, dormia num pequeno salão deserto com três outros senhores cujas mulheres se divertiam muito.)

Il lui jeta sur les épaules les vêtements qu’il avait apportés pour la sortie, modestes vêtements de la vie ordinaire, dont la pauvreté jurait avec l’élégance de la toilette de bal. Elle le sentit et voulut s’enfuir, pour ne pas être remarquée par les autres femmes qui s’enveloppaient de riches fourrures.

(Ele jogou sobre seus ombros as roupas que havia trazido para a saída, modestas roupas da vida comum, cuja pobreza contrastava com a elegância do vestido de baile. Ela sentiu isso e quis fugir, para não ser notada pelas outras mulheres que se envolviam em ricas peles.)

Loisel la retenait : (Loisel a retinha:)

— Attends donc. Tu vas attraper froid dehors. Je vais appeler un fiacre. (— Espere. Você vai pegar frio lá fora. Vou chamar uma carruagem.)

Mais elle ne l’écoutait point et descendait rapidement l’escalier. Lorsqu’ils furent dans la rue, ils ne trouvèrent pas de voiture ; et ils se mirent à chercher, criant après les cochers qu’ils voyaient passer de loin. (Mas ela não o ouvia e descia rapidamente a escada. Quando estavam na rua, não encontraram nenhuma carruagem; e puseram-se a procurar, gritando para os cocheiros que viam passar ao longe.)

Ils descendaient vers la Seine, désespérés, grelottants. Enfin ils trouvèrent sur le quai un de ces vieux coupés noctambules qu’on ne voit dans Paris que la nuit venue, comme s’ils eussent été honteux de leur misère pendant le jour. (Desciam em direção ao Sena, desesperados, tremendo de frio. Por fim, encontraram no cais um desses velhos cupês noctívagos que só se veem em Paris quando a noite chega, como se tivessem vergonha de sua miséria durante o dia.)

Il les ramena jusqu’à leur porte, rue des Martyrs, et ils remontèrent tristement chez eux. C’était fini, pour elle. Et il songeait, lui, qu’il lui faudrait être au Ministère à dix heures. (Ele os levou até sua porta, na rua dos Mártires, e eles subiram tristemente para casa. Estava tudo acabado para ela. E ele pensava que teria de estar no Ministério às dez horas.)

Elle ôta les vêtements dont elle s’était enveloppé les épaules, devant la glace, afin de se ver encore une fois dans sa gloire. Mais soudain elle poussa un cri. Elle n’avait plus sa rivière autour du cou ! (Ela tirou as roupas com que havia envolvido os ombros, diante do espelho, a fim de se ver mais uma vez em sua glória. Mas de repente soltou um grito. Ela não tinha mais o colar em volta do pescoço!)

Son mari, à moitié dévêtu déjà, demanda : (Seu marido, já meio despido, perguntou:)

— Qu’est-ce que tu as ? (— O que você tem?)

Elle se tourna vers lui, affolée : (Ela se virou para ele, enlouquecida:)

— J’ai… j’ai… je n’ai plus la rivière de Mme Forestier. (— Eu… eu… não estou mais com o colar da senhora Forestier.)

Il se dressa, éperdu : (Ele se levantou, atônito:)

— Quoi !… comment !… Ce n’est pas possible ! (— O quê!… Como!… Não é possível!)

Et ils cherchèrent dans les plis de la robe, dans les plis du manteau, dans les poches, partout. Ils ne la trouvèrent point. (E procuraram nas dobras do vestido, nas dobras do casaco, nos bolsos, em todo lugar. Não o encontraram.)

Il demandait : (Ele perguntava:)

— Tu es sûre que tu l’avais encore en quittant le bal ? (— Você tem certeza de que ainda o tinha ao sair do baile?)

— Oui, je l’ai touchée dans le vestibule du ministère. (— Sim, eu o toquei no vestíbulo do ministério.)

— Mais, si tu l’avais perdue dans la rue, nous l’aurions entendue tomber. Elle doit être dans le fiacre. (— Mas, se você o tivesse perdido na rua, teríamos ouvido cair. Deve estar na carruagem.)

— Oui. C’est probable. As-tu pris le numéro ? (— Sim. É provável. Você anotou o número?)

— Non. Et toi, tu ne l’as pas regardé ? (— Não. E você, não olhou?)

— Non. (— Não.)

Ils se contemplaient atterrés. Enfin Loisel se rhabilla. (Eles se olhavam aterrados. Por fim, Loisel se vestiu novamente.)

— Je vais, dit-il, refaire tout le trajet que nous avons fait à pied, pour voir si je ne la retrouverai pas. (— Vou, disse ele, refazer todo o trajeto que fizemos a pé, para ver se não a encontrarei.)

Et il sortit. Elle demeura en toilette de soirée, sans force pour se coucher, abattue sur une chaise, sans feu, sans pensée. (E ele saiu. Ela ficou com o vestido de baile, sem forças para se deitar, abatida numa cadeira, sem fogo, sem pensamento.)

Son mari rentra vers sept heures. Il n’avait rien trouvé. (Seu marido voltou por volta das sete horas. Não havia encontrado nada.)

Il se rendit à la Préfecture de police, aux journaux, pour faire promettre une récompense, aux compagnies de petites voitures, partout enfin où un soupçon d’espoir le poussait. (Ele foi à delegacia, aos jornais, para fazer prometer uma recompensa, às companhias de pequenas carruagens, enfim, a todo lugar onde uma sombra de esperança o impulsionava.)

Elle attendit tout le jour, dans le même état d’effarement devant cet affreux désastre. (Ela esperou o dia todo, no mesmo estado de espanto diante daquele terrível desastre.)

Loisel revint le soir, avec la figure creusée, pâlie ; il n’avait rien découvert. (Loisel voltou à noite, com o rosto cavado, pálido; não havia descoberto nada.)

— Il faut, dit-il, écrire à ton amie que tu as brisé la fermeture de sa rivière et que tu la fais réparer. Cela nous donnera le temps de nous retourner. (— É preciso, disse ele, escrever à sua amiga que você quebrou o fecho do colar dela e que está mandando consertá-lo. Isso nos dará tempo de nos virarmos.)

Elle écrivit sous sa dictée. (Ela escreveu sob seu ditado.)

Au bout d’une semaine, ils avaient perdu toute espérance. (Depois de uma semana, eles haviam perdido toda a esperança.)

Et Loisel, vieilli de cinq ans, déclara : (E Loisel, envelhecido cinco anos, declarou:)

— Il faut aviser à remplacer ce bijou. (— É preciso providenciar para substituir essa joia.)

Ils prirent, le lendemain, la boîte qui l’avait renfermé, et se rendirent chez le joaillier, dont le nom se trouvait dedans. Il consulta ses livres : (Eles pegaram, no dia seguinte, a caixa que o havia guardado, e foram até o joalheiro cujo nome estava dentro. Ele consultou seus livros:)

— Ce n’est pas moi, madame, qui ai vendu cette rivière ; j’ai dû seulement fournir l’écrin. (— Não fui eu, senhora, que vendi esse colar; eu devo ter fornecido apenas o estojo.)

Alors ils allèrent de bijoutier en bijoutier, cherchant une parure pareille à l’autre, consultant leurs souvenirs, malades tous deux de chagrin et d’angoisse.

(Então eles foram de joalheiro em joalheiro, procurando um adorno igual ao outro, consultando suas lembranças, os dois doentes de tristeza e angústia.)

Ils trouvèrent, dans une boutique du Palais Royal, un chapelet de diamants qui leur parut entièrement semblable à celui qu’ils cherchaient. Il valait quarante mille francs. On le leur laisserait à trente-six mille. (Eles encontraram, numa loja do Palais Royal, um colar de diamantes que lhes pareceu inteiramente semelhante ao que procuravam. Valia quarenta mil francos. Deixariam por trinta e seis mil.)

Ils prièrent donc le joaillier de ne pas le vendre avant trois jours. Et ils firent condition qu’on le reprendrait, pour trente-quatre mille francs, si le premier était retrouvé avant la fin de février. (Pediram então ao joalheiro que não o vendesse antes de três dias. E estabeleceram como condição que seria recomprado por trinta e quatro mil francos, se o primeiro fosse encontrado antes do final de fevereiro.)

Loisel possédait dix-huit mille francs que lui avait laissés son père. Il emprunterait le reste. (Loisel possuía dezoito mil francos que seu pai lhe havia deixado. Emprestaria o resto.)

Il emprunta, demandant mille francs à l’un, cinq cents à l’autre, cinq louis par-ci, trois louis par-là. Il fit des billets, prit des engagements ruineux, eut affaire aux usuriers, à toutes les races de prêteurs. Il compromit toute la fin de son existence, risqua sa signature sans savoir même s’il pourrait y faire honneur, et, épouvanté par les angoisses de l’avenir, par la noire misère qui allait s’abattre sur lui, par la perspective de toutes les privations physiques et de toutes les tortures morales, il alla chercher la rivière nouvelle, en déposant sur le comptoir du marchand trente-six mille francs. (Ele tomou emprestado, pedindo mil francos a um, quinhentos a outro, cinco luíses aqui, três luíses acolá. Fez promissórias, assumiu compromissos ruinosos, teve de lidar com usurários, com todas as espécies de credores. Comprometeu todo o fim de sua existência, arriscou sua assinatura sem nem mesmo saber se poderia honrá-la, e, apavorado com as angústias do futuro, com a negra miséria que iria se abater sobre ele, com a perspectiva de todas as privações físicas e de todas as torturas morais, foi buscar o novo colar, depositando no balcão do comerciante trinta e seis mil francos.)

Quand Mme Loisel reporta la parure à Mme Forestier, celle-ci lui dit, d’un air froissé : (Quando a senhora Loisel devolveu o adorno à senhora Forestier, esta lhe disse, com ar contrariado:)

— Tu aurais dû me la rendre plus tôt, car, je pouvais en avoir besoin. (— Você deveria ter me devolvido mais cedo, pois eu poderia ter precisado dele.)

Elle n’ouvrit pas l’écrin, ce que redoutait son amie. Si elle s’était aperçue de la substitution, qu’aurait-elle pensé ? qu’aurait-elle dit ? Ne l’aurait-elle pas prise pour une voleuse ? (Ela não abriu o estojo, o que sua amiga temia. Se ela tivesse percebido a substituição, o que teria pensado? O que teria dito? Não a teria tomado por uma ladra?)

Mme Loisel connut la vie horrible des nécessiteux. Elle prit son parti, d’ailleurs, tout d’un coup, héroïquement. Il fallait payer cette dette effroyable. Elle payerait. On renvoya la bonne ; on changea de logement ; on loua sous les toits une mansarde. (A senhora Loisel conheceu a vida horrível dos necessitados. Tomou sua decisão, aliás, de uma só vez, heroicamente. Era preciso pagar aquela dívida terrível. Ela pagaria. Dispensou-se a empregada; mudou-se de casa; alugou-se sob os telhados uma mansarda.)

Elle connut les gros travaux du ménage, les odieuses besognes de la cuisine. Elle lava la vaisselle, usant ses ongles roses sur les poteries grasses et le fond des casseroles. Elle savonna le linge sale, les chemises et les torchons, qu’elle faisait sécher sur une corda ; elle descendit à la rue, chaque matin, les ordures, et monta l’eau, s’arrêtant à chaque étage pour souffler. Et, vêtue comme une femme du peuple, elle alla chez le fruitier, chez l’épicier, chez le boucher, le panier au bras, marchandant, injuriée, défendant sou à sou son misérable argent. (Ela conheceu os trabalhos pesados do lar, as odiosas tarefas da cozinha. Lavou a louça, gastando suas unhas rosadas nas panelas gordurosas e no fundo das caçarolas. Ensaboou a roupa suja, as camisas e os panos, que fazia secar numa corda; ela descia à rua, toda manhã, o lixo, e subia a água, parando em cada andar para respirar. E, vestida como uma mulher do povo, ela ia ao vendedor de frutas, ao merceeiro, ao açougueiro, com a cesta no braço, regateando, sendo insultada, defendendo centavo a centavo seu miserável dinheiro.)

Il fallait chaque mois payer des billets, en renouveler d’autres, obtenir du temps. (Era preciso pagar promissórias a cada mês, renovar outras, conseguir prazo.)

Le mari travaillait, le soir, à mettre au net les comptes d’un commerçant, et la nuit, souvent, il faisait de la copie à cinq sous la page. (O marido trabalhava, à noite, para passar a limpo as contas de um comerciante, e à noite, frequentemente, fazia cópias a cinco soldos a página.)

Et cette vie dura dix ans. (E essa vida durou dez anos.)

Au bout de dix ans, ils avaient tout restitué, tout, avec le taux de l’usure, et l’accumulation des intérêts superposés. (Ao fim de dez anos, eles haviam restituído tudo, tudo, com a taxa dos juros usurários e o acúmulo dos juros sobrepostos.)

Mme Loisel semblait vieille, maintenant. Elle était devenue la femme forte, et dure, et rude, des ménages pauvres. Mal peignée, avec les jupes de travers et les mains rouges, elle parlait haut, lavait à grande eau les planchers. Mais parfois, lorsque son mari était au bureau, elle s’asseyait auprès de la fenêtre, et elle songeait à cette soirée d’autrefois, à ce bal, où elle avait été si belle et si fêtée. (A senhora Loisel parecia velha, agora. Tornara-se a mulher forte, e dura, e rude, das casas pobres. Mal penteada, com as saias tortas e as mãos vermelhas, ela falava alto, lavava os assoalhos com muita água. Mas às vezes, quando seu marido estava no escritório, ela se sentava junto à janela, e pensava naquela noite de outrora, naquele baile, onde havia sido tão bela e tão festejada.)

Que serait-il arrivé si elle n’avait point perdu cette parure ? Qui sait ? qui sait ? Comme la vie est singulière, changeante ! Comme il faut peu de chose pour vous perdre ou vous sauver ! (O que teria acontecido se ela não tivesse perdido aquele adorno? Quem sabe? Quem sabe? Como a vida é singular, mutável! Como é preciso pouca coisa para nos perder ou nos salvar!)

Or, un dimanche, comme elle était allée faire un tour aux Champs-Élysées pour se délasser des besognes de la semaine, elle aperçut tout à coup une femme qui promenait un enfant. C’était Mme Forestier, toujours jeune, toujours belle, toujours séduisante. (Ora, num domingo, como ela havia ido passear nos Campos Elísios para se descansar das tarefas da semana, ela avistou de repente uma mulher que passeava com uma criança. Era a senhora Forestier, sempre jovem, sempre bela, sempre sedutora.)

Mme Loisel se sentit émue. Allait-elle lui parler ? Oui, certes. Et maintenant qu’elle avait payé, elle lui dirait tout. Pourquoi pas ? (A senhora Loisel se sentiu emocionada. Ia falar-lhe? Sim, certamente. E agora que havia pago, ela lhe diria tudo. Por que não?)

Elle s’approcha. (Ela se aproximou.)

— Bonjour, Jeanne. (— Bom dia, Jeanne.)

L’autre ne la reconnaissait point, s’étonnant d’être appelée ainsi familièrement par cette bourgeoise. Elle balbutia : (A outra não a reconhecia, espantando-se por ser chamada assim familiarmente por essa burguesa. Ela balbuciou:)

— Mais… madame !… Je ne sais… Vous devez vous tromper. (— Mas… senhora!… Não sei… A senhora deve estar enganada.)

— Non. Je suis Mathilde Loisel. (— Não. Sou Mathilde Loisel.)

Son amie poussa un cri : (Sua amiga soltou um grito:)

— Oh !… ma pauvre Mathilde, comme tu es changée !… (— Oh!… minha pobre Mathilde, como você mudou!…)

— Oui, j’ai eu des jours bien durs, depuis que je ne t’ai vue ; et bien des misères… et cela à cause de toi !… (— Sim, tive dias muito difíceis, desde que não te vi; e muitas misérias… e isso por causa de você!…)

— De moi… Comment ça ? (— De mim… Como assim?)

— Tu te rappelles bien cette rivière de diamants que tu m’as prêtée pour aller à la fête du Ministère. (— Você se lembra bem daquele colar de diamantes que me emprestou para ir à festa do Ministério.)

— Oui. Eh bien ? (— Sim. E daí?)

— Eh bien, je l’ai perdue. (— Pois bem, eu o perdi.)

— Comment ! puisque tu me l’as rapportée. (— Como! Se você mo devolveu.)

— Je t’en ai rapporté une autre toute pareille. Et voilà dix ans que nous la payons. Tu comprends que ça n’était pas aisé pour nous, qui n’avions rien… Enfin c’est fini, et je suis rudement contente. (— Trouxe-lhe outro bem parecido. E há dez anos que o estamos pagando. Você entende que não foi fácil para nós, que não tínhamos nada… Enfim, está terminado, e estou muito contente.)

Mme Forestier s’était arrêtée. (A senhora Forestier havia parado.)

— Tu dis que tu as acheté une rivière de diamants pour remplacer la mienne ? (— Você está dizendo que comprou um colar de diamantes para substituir o meu?)

— Oui. Tu ne t’en étais pas aperçue, hein ? Elles étaient bien pareilles. (— Sim. Você não havia percebido, não é? Eram bem parecidos.)

Et elle souriait d’une joie orgueilleuse et naïve. (E ela sorria com uma alegria orgulhosa e ingênua.)

Mme Forestier, fort émue, lui prit les deux mains. (A senhora Forestier, muito emocionada, tomou-lhe as duas mãos.)

— Oh ! ma pauvre Mathilde ! Mais la mienne était fausse. Elle valait au plus cinq cents francs !… (— Oh! Minha pobre Mathilde! Mas o meu era falso. Valia no máximo quinhentos francos!…)

Veja também:

⇒ TEXTO BÁSICO EM FRANCÊS: HENRI LE VOLEUR [COM ÁUDIO]

⇒ TEXTO AVANÇADO EM FRANCÊS – NARCISISTAS E GASLIGHTING [COM ÁUDIO]

⇒ TEXTO INTERMEDIÁRIO EM FRANCÊS | LA FLEUR DE LYS [COM ÁUDIO]

⇒ TEXTO BÁSICO EM FRANCÊS | L’ANNIVERSAIRE DE MAMAN [COM ÁUDIO]

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ADIR FERREIRA

Professor poliglota, desde 2007 produz conteúdo online e é autor dos cursos Francês Autêntico, Pronúncia Prática, Domine o Subjuntivo, Francês com Filmes e também de vários e-books para o aprendizado da língua francesa.

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