Salut, tudo certinho por aí?
Você já se perguntou até onde iria para sobreviver? O texto a seguir traz a impressionante história de Arthur Renard, um esportista experiente que, em 2003, transformou um cenário de isolamento total nas gargantas do Verdon em uma das maiores demonstrações de resiliência humana já registradas. Após um grave acidente que deixou seu braço preso sob uma rocha de 360 quilos, Arthur se viu completamente sozinho, sem água e sem comunicação.
Diante da morte iminente, ele enfrentou dilemas extremos e tomou a decisão mais dolorosa de sua vida para conquistar a liberdade. Mais do que um relato de agonia e superação física, esta é uma narrativa emocionante sobre a força dos laços familiares e o poder da esperança no futuro. Prepare-se para mergulhar em uma jornada que nos faz questionar nossos próprios limites e redescobrir o verdadeiro valor das relações humanas.
Acompanhe o texto traduzido com o áudio gravado por locutor nativo francês e bons estudos! En route !
UNE QUESTION DE VIE OU DE MORT
Que feriez-vous dans une situation de vie ou de mort ? Qu’accepteriez-vous de perdre pour sauver votre vie ? Pourriez-vous abandonner votre maison ou votre voiture ? Tout l’argent de votre compte bancaire ? Jusqu’où pourriez-vous aller ? Pourriez-vous sacrifier votre propre bras si votre vie en dépendait ? Seriez-vous capable de vous couper le bras ?
(O que você faria em uma situação de vida ou morte? O que aceitaria perder para salvar sua vida? Poderia abandonar sua casa ou seu carro? Todo o dinheiro da sua conta bancária? Até onde conseguiria ir? Poderia sacrificar o seu próprio braço se a sua vida dependesse disso? Seria capaz de cortar o seu próprio braço?)
En 2003, Arthur Renard s’est retrouvé dans cette situation extrême. Alors qu’il faisait une randonnée dans les gorges du Verdon, un terrible accident s’est produit. Il est tombé, et son bras s’est retrouvé coincé sous un énorme rocher. Il n’y avait personne pour l’aider. Il n’avait que deux options : mourir ou se couper le bras pour s’échapper.
(Em 2003, Arthur Renard se viu nessa situação extrema. Enquanto fazia uma caminhada pelas gargantas do Verdon, um terrível acidente aconteceu. Ele caiu e seu braço ficou preso sob uma rocha enorme. Não havia ninguém para ajudá-lo. Ele tinha apenas duas opções: morrer ou cortar o próprio braço para escapar.)
Arthur était un sportif de l’extrême très expérimenté. En 2002, il a démissionné de son poste d’ingénieur pour se consacrer à l’alpinisme et a battu un record. Il est devenu la première personne à gravir les plus hauts sommets des Alpes en solo et en hiver. Il n’avait pas peur du danger. En 2003, il a failli mourir dans une avalanche pendant qu’il faisait du ski. Plus tard la même année, il a encore failli perdre la vie en randonnée. Comme il ne pensait pas que c’était dangereux, il a commis une très grande erreur : il n’a dit à personne où il allait.
(Arthur era um esportista de elite muito experiente. Em 2002, ele pediu demissão de seu cargo de engenheiro para se dedicar ao alpinismo e quebrou um recorde. Tornou-se a primeira pessoa a escalar os picos mais altos dos Alpes sozinho e no inverno. Ele não tinha medo do perigo. Em 2003, quase morreu em uma avalanche enquanto esquiava. Mais tarde, no mesmo ano, quase perdeu a vida novamente em uma caminhada. Como não achava que era perigoso, cometeu um erro muito grande: não contou a ninguém para onde estava indo.)
Le premier jour, il a marché environ 30 kilomètres dans la nature sauvage avant de tomber dans une crevasse. Pendant sa chute, il a fait bouger un rocher de 360 kilos. Le rocher a écrasé son bras. Il était piégé, seul, et personne ne savait où il se trouvait.
(No primeiro dia, ele caminhou cerca de 30 quilômetros na natureza selvagem antes de cair em uma fenda. Durante a queda, ele deslocou uma rocha de 360 quilos. A rocha esmagou seu braço. Ele estava preso, sozinho, e ninguém sabia onde ele estava.)
Arthur a tout de suite compris que les secours ne viendraient pas. Il a immédiatement pensé à se couper le bras. Bien sûr, il ne voulait pas le faire, alors il a essayé d’oublier cette idée. Rapidement, il a perdu la sensibilité dans son bras coincé. Il a tenté plusieurs solutions pour se libérer : il a essayé de pousser le rocher, puis de le casser, et enfin d’utiliser son matériel d’escalade pour le faire bouger, mais en vain. Ses chances d’être retrouvé étaient presque nulles. Il avait très peu d’eau et savait qu’il ne pourrait pas survivre longtemps.
(Arthur entendeu imediatamente que o resgate não viria. Ele pensou logo em cortar o braço. Claro que não queria fazer isso, então tentou esquecer a ideia. Rapidamente, perdeu a sensibilidade no braço preso. Tentou várias soluções para se libertar: tentou empurrar a rocha, depois quebrá-la e, finalmente, usar seu equipamento de escalada para movê-la, mas em vão. Suas chances de ser encontrado eram quase nulas. Ele tinha muito pouca água e sabia que não conseguiria sobreviver por muito tempo.)
Voyant la mort approcher, Arthur a sorti sa caméra pour s’enregistrer :
(Vendo a morte se aproximar, Arthur pegou sua câmera para se gravar:)
« Je m’appelle Arthur Renard. Mes parents sont Donna et Thierry Renard, de Grenoble. Si quelqu’un trouve cette vidéo, s’il vous plaît, donnez-la-leur. »
(“Meu nome é Arthur Renard. Meus pais são Donna e Thierry Renard, de Grenoble. Se alguém encontrar este vídeo, por favor, entregue a eles.”)
Arthur a ensuite dit au revoir à ses proches :
(Arthur se despediu em seguida de seus entes queridos:)
« Je vous aime tous. Apportez de l’amour, de la paix et du bonheur dans le monde en mon honneur. Merci. Je vous aime. »
(Amo todos vocês. Levem amor, paz e felicidade ao mundo em minha memória. Obrigado. Eu amo vocês.”)
Après avoir éteint la caméra, il a utilisé son couteau pour graver son nom sur la roche. Sous son nom, il a écrit « Octobre 1975 » (sa date de naissance) puis « Avril 2003 ». C’était sa propre tombe. Il a prié et s’est préparé à mourir.
(Depois de desligar a câmera, usou sua faca para gravar seu nome na rocha. Sob o nome, escreveu “Outubro 1975” (sua data de nascimento) e depois “Abril 2003”. Era o seu próprio túmulo. Ele rezou e se preparou para morrer.)
Il savait que se couper le bras était sa seule chance de survie. Il possédait un couteau, mais de très mauvaise qualité. Pendant qu’il coupait, il ressentait un mélange étrange de douleur terrible et de joie. Il a appelé cela une « belle douleur ». C’était la pire souffrance de sa vie, mais l’idée de liberté le rendait très enthousiaste. Il devait faire attention à ne pas s’évanouir. Il a coupé la peau, les muscles et les nerfs. Malheureusement, son couteau n’était pas assez solide pour couper l’os. Il ne savait plus quoi faire.
(Ele sabia que cortar o braço era sua única chance de sobrevivência. Ele tinha uma faca, mas de péssima qualidade. Enquanto cortava, sentia uma mistura estranha de dor terrível e alegria. Ele chamou isso de uma “bela dor”. Foi o pior sofrimento de sua vida, mas a ideia de liberdade o deixava muito entusiasmado. Ele precisava tomar cuidado para não desmaiar. Cortou a pele, os músculos e os nervos. Infelizmente, sua faca não era forte o suficiente para cortar o osso. Ele já não sabia mais o que fazer.)
Après cinq jours, Arthur a abandonné. Il se sentait vaincu et acceptait sa mort. C’est alors qu’il a eu une vision : il s’est vu dans le futur, avec un seul bras, en train de jouer avec un petit garçon aux cheveux blonds et au t-shirt rouge. Arthur n’avait pas d’enfant, mais il a compris que c’était son futur fils. Il a réalisé qu’il ne pouvait pas abandonner. Il devait vivre pour rencontrer ce fils.
(Após cinco dias, Arthur desistiu. Sentia-se derrotado e aceitava a sua morte. Foi então que teve uma visão: viu-se no futuro, com apenas um braço, brincando com um garotinho de cabelos loiros e camiseta vermelha. Arthur não tinha filhos, mas entendeu que aquele era o seu futuro filho. Percebeu que não podia desistir. Tinha que viver para conhecer esse filho.)
Son couteau ne pouvait pas couper l’os, alors il a eu une autre idée : il n’allait pas le couper, mais le casser. Après avoir brisé son os, il était enfin libre ! Il avait passé cinq jours seul, sans nourriture et presque sans eau, mais il était vivant. Avant de partir, il a pris une photo du rocher et de sa main.
(Como sua faca não conseguia cortar o osso, ele teve outra ideia: não iria cortá-lo, mas sim quebrá-lo. Depois de quebrar o osso, estava finalmente livre! Passara cinco dias sozinho, sem comida e quase sem água, mas estava vivo. Antes de ir embora, tirou uma foto da rocha e de sua mão.)
Le lieu où il était bloqué se trouvait à vingt mètres de hauteur. Même s’il n’avait plus qu’une seule main, Arthur a réussi à descendre prudemment avec ses cordes. Il était encore à une trentaine de kilomètres de la première habitation, en plein milieu de la nature, et sans téléphone portable. Il a donc commencé à marcher. Après un certain temps, il a croisé une famille de randonneurs. Ils lui ont donné à manger, à boire, et ont appelé les secours. Rapidement, un hélicoptère d’urgence est arrivé pour l’emmener à l’hôpital.
(O local onde estava preso ficava a vinte metros de altura. Mesmo tendo apenas uma das mãos, Arthur conseguiu descer com cuidado usando suas cordas. Ele ainda estava a cerca de trinta quilômetros da habitação mais próxima, no meio do nada e sem celular. Então, começou a caminhar. Depois de algum tempo, cruzou com uma família de trilheiros. Eles lhe deram comida, bebida e chamaram o resgate. Rapidamente, um helicóptero de emergência chegou para levá-lo ao hospital.)
Arthur a perdu son bras ce jour-là, mais il a beaucoup appris sur lui-même. Il a compris que le plus important dans la vie, ce sont les relations humaines. Quand il était sur le point de mourir, penser à sa famille et à son futur fils l’a aidé à tenir bon. Aujourd’hui, il continue de grimper et de faire des sports extrêmes. Il voyage aussi dans le monde entier pour raconter son histoire dans les écoles et les entreprises. En 2010, Arthur et sa femme ont eu un petit garçon nommé Léo. Arthur est certain que c’est Léo qui lui a sauvé la vie en 2003.
(Arthur perdeu o braço naquele dia, mas aprendeu muito sobre si mesmo. Entendeu que o mais importante na vida são as relações humanas. Quando estava prestes a morrer, pensar em sua família e em seu futuro filho o ajudou a resistir. Hoje, ele continua escalando e praticando esportes extremos. Também viaja pelo mundo inteiro para contar sua história em escolas e empresas. Em 2010, Arthur e sua esposa tiveram um menininho chamado Léo. Arthur tem certeza de que foi Léo quem salvou sua vida em 2003.)
Veja também:
⇒ TEXTO EM FRANCÊS INTERMEDIÁRIO: LA FONTAINE AUX SOUHAITS [COM ÁUDIO]
⇒ TEXTO COM FRANCÊS JURÍDICO PARA PRATICAR [COM ÁUDIO]
⇒ COMO FALAR MELHOR EM PÚBLICO: TEXTO EM FRANCÊS COM TRADUÇÃO (E ÁUDIO)
⇒ TEXTO PARA PRATICAR: LES 12 TRAVAUX D’HERCULE [COM ÁUDIO]
















